Falta um tijolo na parede

Calcutá, Índia, 1996
Calcutá, Índia, 1996

Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, publicou um estudo com o título Building better global economics. Nele, o economista  falava sobre a ascensão de quatro potências globais para além do G-7, grupo das sete maiores economias do globo. O grupo foi batizado de BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). O acrônimo ganhou fama instantânea: para além da fácil sonoridade, em inglês brick significa tijolo. Tempos depois, mais um país se juntaria ao grupo, a África do Sul. O termo BRICS ganhou popularidade fácil.

A imprensa brasileira cobre de modo satisfatório as atualidades políticas, econômicas e sociais de três dos quatro países do bloco. Não é difícil imaginar qual deles é negligenciado na cobertura jornalística. A Rússia herdou o poder e a influência do império soviético e mesmo após a queda do muro de Berlim continuou a rivalizar em termos políticos, militares e tecnológicos com os EUA. Assim como o Brasil, a Rússia está no inserida politicamente no mundo ocidental e há boa cobertura da mídia europeia e brasileira sobre os conterrâneos de Putin.

Por conta da sua força econômica, alavancada por 1,6 bilhões de habitantes, a China é obrigatória no noticiário tupiniquim. Há algumas cooperações no setor aeroespacial, a China compra carne, soja e minério de ferro do Brasil e, na mão inversa, há importação de tecidos, brinquedos, pequenos eletrônicos e outros produtos manufaturados. A China já é o maior parceiro comercial do Brasil e elementos da cultura chinesa encontram receptividade aqui. A África do Sul ganhou notoriedade com a luta de Nelson Mandela contra o apartheid e, na última década, sediou a Copa. País mais rico da África, tem imensa influência em seu continente.

O que sabemos sobre a Índia? Bem menos do que sabemos sobre os outros dois tijolos dos BRIC. É uma constatação um tanto irônica, uma vez que o Brasil foi descoberto por naus portuguesas que rumavam para a Índia. Além dos conflitos entre hindus e muçulmanos na Caxemira, da adoração às vacas e Mahatma Gandhi, há pouca coisa no imaginário brasileiro sobre a Índia. Uma lacuna de informação e conteúdo prejudicial ao Brasil. Um país com a população e as dimensões da Índia não pode ser ignorado.

Em Bangalore estão algumas das maiores estruturas de serviços de TI do planeta. Uma das empresa a ter seus serviços lá é a Microsoft. O país também tem um bem-sucedido programa espacial: em 2014, a Índia mandou uma sonda a Marte. Realizado em parcerias com universidades públicas, o programa custou 100 vezes menos que a Curiosity, a sonda norte-americana que pousou em Marte. Temos muito a aprender e ensinar aos indianos. Saber mais sobre eles é a melhor maneira de fazer isso.