O cérebro orgásmico

O cérebro orgásmico

A hora do orgasmo, que hora mais feliz. Imagem via thevisualMD

 

Você já viu uma mulher tendo um orgasmo? Apesar de muitas mulheres se sentirem obrigadas a fingir um orgasmo para agradar o parceiro ou a parceira, o gozo autêntico é difícil de ser encenado. “O corpo não mente”, acredita uma minha cara amiga. E se tem uma coisa que deve ser difícil de imitar é a resposta cerebral ao orgasmo. Esse momento mágico foi registrado em imagens de ressonância magnética pelo pesquisador Barry Komisaruk e seus colegas na Universidade de Rutgers, nos EUA. A cobaia foi a doutoranda Nan Wise, uma pesquisadora e terapeuta sexual de 54 anos.

 

As imagens ilustram as reações do cérebro de Wise antes, durante e depois do orgasmo, com base nas taxas de oxigênio no órgão: vermelho escuro quer dizer pouco oxigênio, portanto pouca atividade, e amarelo/branco significa maior oxigenação, portanto maior atividade. No ápice do gozo de Wise, praticamente todo o cérebro se ilumina e fica quase branco, o que indica que a maior parte dos sistemas cerebrais está envolvida no orgasmo, se conecta e se ativa ao máximo no momento da “pequena morte”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes, quase lá, durante e depois: assim goza o cérebro de Nan Wise. Imagens via thevisualMD

 

Komisaruk é professor de Psicologia e estuda as respostas cerebrais durante o orgasmo, e escreveu alguns livros sobre o assunto. Em entrevista ao site Slutever, ele contou que se interessou pelo tema quando descobriu, através de um estudo com cobaias em seu laboratório, que a estimulação vaginal (que seria a estimulação interna, diferente da estimulação clitoriana, externa) tem uma forte ação no bloqueio da dor. “Na época, minha esposa estava com câncer de mama em estado terminal. Ela sentia muita dor, e quando fiz aquela descoberta, pensei: ‘se eu sou um bom cientista, por que não começo a fazer algo útil? Algo como o estudo do bloqueio da dor!’”, lembra o professor.

 

Ele descobriu que relação estimulação vaginal / bloqueio da dor também se apresenta nas mulheres, e passou a estudar quais nervos estão envolvidos na transmissão das sensações dos orgasmos clitoriano, vaginal e anal. “Algumas mulheres podem gozar com a estimulação de qualquer um desses nervos. Para outras, não é tão fácil. Mas quando diferentes nervos são estimulados simultaneamente, os orgasmos podem ser mais intensos e complexos”, diz o neurocientista.

 

Ele tem uma dica de ouro para as mulheres que querem ter orgasmos mais intensos, e se você é homem, heterossexual e quer agradar a sua parceira, as indicações do professor também podem ser úteis para você. (Se você é homem, heterossexual e não se interessa pelo prazer da sua parceira: você está fazendo isso errado.) Komisaruk diz que é como se estivéssemos dirigindo um carro: “a estimulação clitoriana é como começar com a primeira marcha, e a estimulação vaginal seria como começar na terceira ou na quarta marcha. Você até pode fazer isso, mas é muito mais fácil sair de primeira. Quando você sentir que chegou o momento, aí sim você aumenta a marcha. Portanto começar com o clitóris pode ser uma boa estratégia; depois, quando você estiver quase lá, adicionar a estimulação vaginal pode aumentar a intensidade e a inércia, e juntar também a estimulação do colo do útero pode tornar as sensações ainda mais intensas e complexas”.

 

Ok, não é nenhuma novidade. Mas é sempre bom lembrar a importância de explorar e conhecer o próprio corpo: só assim poderemos chegar aos orgasmos sensacionais que o professor Komisaruk estuda e descreve. Meninas, mãos à obra!

 

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