Olha o Carnaval feminista aí, gente!

essafada
essafada

Minha carne é de Carnaval e meu coração é igual, e por isso tá difícil segurar a ansiedade pra este que será meu primeiro carnaval no Brasil em três anos. Acabei sendo obrigada optando por ficar em São Paulo, e conversando com um amigo há alguns dias fui elencando os blocos em que pretendo brilhar nas próximas semanas: Bloco da Abolição, Bloco Soviético, Bloco do MAL, Bloco do Peixe Seco… “Quanto bloco engajado! E cadê o bloco feminista?” Boa pergunta: cadê, gente?

 

Bom, no Rio este ano tem o Mulheres Rodadas, que na esteira do maravilhoso tumblr Mulher Rodada vai pra rua no dia 18 de fevereiro lembrar que a gente rooooda e dá pra todo mundo, mas não dá pra qualquer um.

 

Imagem via Facebook

 

O Grêmio Anárquico Feminazi Essa Fada também estreia este ano, mas em Recife (QUERO), com esquenta no dia 07 de fevereiro e desfile no dia 17. No manifesto, essas fada lembram que não, elas não se importam com o que pensam, e que o Carnaval é o melhor momento para festejar nossa liberdade:

 

Há melhor cenário para colocar em prática o adágio de que as boazinhas vão para o céu, mas as outras vão aonde quiserem? Assim, nós, mulheres que queremos ser o que nos aprouver, somos qualqueres, ordinárias em quereres, somos essas, somos aquelas, somos tantas, somos todas as possibilidades de ser. Essas que rompem padrões, essas que não se submetem, essas que lutam, essas que buscam suas próprias expectativas ao invés de atender às alheias. Essas de corpo e mente livres. Sou dessas mulheres que dizem sim, sou essa que voa.”

 

Um bloco que não é necessariamente feminista (ou é?) mas que vai celebrar as mulheres e nossos direitos durante o Carnaval é o carioca Comuna QUE PARIU. O Comuna sai dia 16 de fevereiro com o enredo “Lugar de mulher… é onde ela quiser”:

 

Eu fui bebê num berço Rosa chá
Depois boneca pra criar
Se eu brincava de chuveirinho no xixi
Já me diziam ‘tira a mão daí’
‘Palavrão é feio’
‘Isso não são modos’
‘Passa a faca nos pentelhos’
‘Cruza essa perna logo’
Antes dos treze me passaram a mão
Se fiquei quieta, a culpa é da opressão

 

Sou santa, sou puta, sou filha da luta
Machismo é porrada e piada sutil
Lugar de mulher é… é onde ela quiser!
E no Comuna Que Pariu!

 

Em São Paulo, tem o Bloco da Dona Yayá, da União de Mulheres do Município, que desfila desde 2001 no bairro do Bixiga, sempre no domingo anterior ao Carnaval, este ano no dia 08 de fevereiro. O tema do bloco este ano é “Mulheres Encarceradas”, para denunciar as condições degradantes a que detentas são submetidas no Brasil, agravadas por elas serem mulheres.

 

Mulheres do Ilú Obá de Min. Foto de Fernando Eduardo via Facebook

 

Mas o bloco que tem mais espaço no meu coração é o Ilú Obá de Min, que este ano desfila na sexta-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro. No Ilú, cujo nome significa “As mãos femininas que tocam tambor pro rei Xangô”, o foco é nas mulheres negras e na cultura afro-brasileira. Como contam as fundadoras no vídeo abaixo, o bloco foi criado justamente para empoderar mulheres no tambor e na dança, e é constituído quase exclusivamente por mulheres (homens são bem-vindos, mas a coordenação, a liderança e o protagonismo são delas).

 

 

Tá lindo, tá gostoso, mas acho que pode ter muitos mais blocos feministas pelo Brasil, hein? Conhece algum? Comenta aqui embaixo ou manda email que eu atualizo aqui: carol@revistasamuel.com.br.