Pesquisa avalia segurança de mulheres profissionais de mídia

Pesquisa avalia segurança de mulheres profissionais de mídia

No início de agosto, sete jornalistas na Inglaterra receberam tweets muito parecidos que declaravam que uma bomba havia sido plantada em suas casas. “Esteja lá para que você morra”, comentava carinhosamente um deles. Profissionais de diferentes publicações como The Guardian, Independent, TIME, New Statesman e Daily Telegraph, a única coisa que tinham em comum era o fato de serem mulheres. “Isso esclareceu para mim algo que eu já tinha suspeitado: recebi essa ameaça porque sou mulher”, afirmou Catherine Mayer, editora da revista estadunidense TIME na Europa. “Acho que a única coisa provocatória que eu fiz foi ser mulher e ter um perfil no Twitter, ter uma mínima presença pública, e ter opiniões.”

 

A Samuel N10 está nas bancas! Assine já e apoie a imprensa independente.

 

Jornalistas não precisam estar em zonas de guerra para serem alvo de ameaças e violência – qualquer manifestação dos últimos três meses no Brasil é prova disso. O gás lacrimogêneo e as balas de borracha são adições recentes a uma realidade muito mais aterradora: o Brasil está em um temeroso quinto lugar no ranking de países onde mais morreram jornalistas nos primeiros seis meses de 2013, superado apenas por Síria, Índia, Paquistão e Somália. No caso das mulheres, ao risco de morte se acrescentam agressões sexuais, assédio moral, ameaças contra pessoas da família e comentários sexistas e misóginos via internet, que dão um triste recorte de gênero à violência contra profissionais de mídia.

 

Giuliana Vallone, repórter da TV Folha, atingida por uma bala de borracha na manifestação do dia 13 de junho em São Paulo. Foto de Guilherme Kastner via Terra

 

Para lidar com essa questão, o International News Safety Institute (INSI) – em colaboração com o International Women’s Media Foudation e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) – lançou uma pesquisa online sobre violência contra mulheres jornalistas para avaliar e quantificar que tipo de perigos e ameaças elas enfrentam no dia a dia da profissão. As organizações envolvidas pretendem elaborar uma série de recomendações para aumentar a segurança das jornalistas no mundo todo.

 

Clique aqui para responder à pesquisa sobre segurança para profissionais de mídia.

 

A pesquisa, em inglês, pode ser respondida até a próxima sexta-feira, 20 de setembro, e está disponível nesse link. Profissionais de mídia de todos os sexos e gêneros podem participar, e mulheres são especialmente convidadas a relatar suas experiências. Segundo o site da ONU Brasil, o estudo também vai ser incorporado ao “Plano de Ação da ONU sobre a segurança dos jornalistas e a questão da impunidade”, “que pretende criar um ambiente livre e seguro para os repórteres e profissionais de mídia, tanto em situações de conflito e quanto de não conflito”.