Revista AzMina, em breve em um smartphone (ou computador ou tablet) perto de você!

14407853901meme10-vadias
14407853901meme10-vadias

A revista AzMina já é realidade! O financiamento coletivo promovido pelas criadoras do projeto alcançou semana passada os 50 mil reais necessários para a realização da primeira edição da revista que promete contemplar mulheres de A a Z. Pra quem não conhece, AzMina foi criada por um grupo de jornalistas há muito insatisfeitas com o conteúdo oferecido pelas tais “revistas femininas” que costumamos encontrar nas bancas. Quem nunca se odiou por não ter o corpo, os cabelos, a pele ou o vestido perfeito da moça da capa? Eu já. Estas publicações, que mais incentivam o consumismo e o autodesprezo do que qualquer outra coisa, não contemplam mulheres várias: negras, gordas, lésbicas, trans, portadoras de necessidades especiais e muitas outras não costumamos ter lugar naquelas páginas.

 

 

Para nós – e por nós – será a revista AzMina. As edições em formato digital (para smartphone, tablet e computador) serão de graça e com conteúdo pautado por um viés feminista, ou seja: maravilhoso. Segundo a descrição das criadoras, na AzMina “haverá espaço para todos os tipos de beleza, rostos e formas. Ensaios de moda que contemplem corpos reais, evitem o consumismo e tragam sugestões de looks que cabem no bolso. Além disso, AzMina terá reportagens profundas, independentes, responsáveis, sem rabo preso com anunciantes. A revista vai respeitar o seu direito de amar e de transar – e toda forma de amor. Vamos te encarar como o ser humano complexo que você é, sem ficar te dizendo o que fazer.”

 

 

Além desse conteúdo incrível, o projeto também coloca na roda um valor que anda escasso no meio jornalístico: a ética, tanto para com as leitoras como para com as profissionais que farão a revista. Conversei sobre isso com Marjorie Rodrigues, editora d’AzMina. O próprio financiamento coletivo já pressupõe transparência, já que deixa claro como será direcionado o dinheiro doado pelas apoiadoras e futuras leitoras: “Os 50 mil são para cobrir os custos da abertura de uma OSCIP [Organização da Sociedade Civil de Interesse Público] (AzMina será sem fins lucrativos), além de toda a programação de um site em HTML 5″, diz Marjorie. “Cobre também os custos de produção das reportagens: apuração, foto, edição, ilustrações.”

 

Fazer bom jornalismo, minha gente, custa dinheiro. E na contramão da precarização da profissão, AzMina prezará pela valorização das jornalistas, ilustradoras e fotógrafas que produzirão a revista, conta Marjorie: “Todos os profissionais que participarem da nossa revista (os quais contrataremos como freelancers) serão pagos pelo trabalho. De início, pensamos em sermos todos voluntários, mas aí nos demos conta de que o trabalho jornalístico precisa ser valorizado. A boa reportagem precisa ser valorizada. E, como daremos sempre prioridade a mulheres, só estaríamos reproduzindo o padrão injusto do mercado se as pagássemos pouco ou nada. Trabalho é trabalho, então vamos remunerar todo mundo.”

 

 

Bom jornalismo, entenda-se, é aquele que tem em mente não os interesses dos anunciantes e dos donos do jornal, mas os interesses das pessoas que o leem. No caso d’AzMina, isto passa também pela editorialização dos anúncios. A revista prezará por uma publicidade responsável e promete só aceitar “anunciantes que usem modelos com índices corporais considerados saudáveis pela Organização Mundial da Saúde” e vetar “mensagens racistas, machistas e heteronormativas”. “As revistas tradicionais são muito dependentes de publicidade e, por isso, o conteúdo editorial acaba contaminado pela lógica da publicidade. As revistas femininas só falam de consumo”, comenta Marjorie. “Queremos inverter essa lógica: a maior parte da receita vem das leitoras, para que possamos recusar peças publicitárias machistas e campanhas de empresas de moda investigadas ou condenadas por uso de mão de obra escrava. No longo prazo, esperamos com isso abrir os olhos das empresas. Se nossa revista existir e fizer sucesso, talvez os anunciantes percebam que existe um grupo significativo de mulheres cansadas do que a mídia tem empurrado para elas e sedentas por mudanças.”

 

 

Para isso, AzMina precisa do apoio contínuo das leitoras, que podem seguir doando na página de financiamento coletivo do projeto até dia 10 de julho. “Nas edições seguintes, pediremos doações espontâneas (que podem ser pontuais ou frequentes, como uma assinatura). A ideia é que as leitoras sejam nossas patroas, nos bancando através de doações. Não sabemos se é um modelo que se sustenta no longo prazo, mas é preciso experimentar novas formas de jornalismo”, diz Marjorie. Além de assinaturas e doações, AzMina também vão promover eventos de arrecadação, como a festa junina e o workshop que rolaram em São Paulo em junho. “Esse tipo de ação aconteceria depois também, como forma de arrecadar dinheiro e juntar as mulheres, formar uma comunidade.”

 

 

Participe dessa revolução! —> juntos.com.vc/pt/azmina